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Essa
nova ênfase na pesquisa científica em
escolas de administração é, de modo geral,
tácita. A maioria dos reitores nega
publicamente sua existência, alegando que a
instituição continua voltada à prática,
embora com crescente consciência do valor da
pesquisa rigorosa.
É preciso, aqui,
observar o que fazem, não o que dizem, os
líderes. Em escolas de negócios de elite, e nas
emergentes que copiam suas práticas, o novo
papel central da pesquisa científica é evidente
em quase toda parte.
Basta ver os
processos de contratação e efetivação de
professores. Um reitor pode até dizer que deseja
uma pesquisa voltada à prática, mas a escola
premia a pesquisa científica destinada a agradar
acadêmicos. Ao recrutar e promover quem publica
em revistas especializadas nessa ou naquela
disciplina, a escola de administração monta um
corpo docente formado por indivíduos cuja
principal aspiração profissional é uma carreira
dedicada à ciência. Hoje é possível encontrar
professores titulares de administração que
jamais puseram os pés numa empresa de verdade,
exceto como clientes.
Em muitas
instituições, a rota da estabilidade, ou tenure,
não inclui o trabalho em campo numa empresa.
Entre jovens acadêmicos e seus orientadores,
essa noção é explícita. Acadêmicos mais jovens
são instados a evitar um trabalho excessivo com
quem pratica a administração e a focar sua
pesquisa em temas científicos estritos, pelo
menos até quando avançados na busca da tenure
(embora muito pesquisador, por escrúpulo, decida
se inteirar da prática administrativa depois de
conquistada a estabilidade, há poucos incentivos
para tanto).
Sem dúvida é válido sugerir que
os novos professores experimentem um pouco antes
de embarcar numa árdua jornada intelectual, mas
a pesquisa nas escolas de gestão está ficando
estreita demais até para acadêmicos. Um fator
tradicional em decisões sobre a concessão de
tenure é a freqüência com que a obra do
candidato é citada por outros acadêmicos.
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Paradoxalmente, reitores e
comitês de tenure nos
informam que o número de citações de artigos
redigidos por candidatos é drasticamente
inferior do que há uma década — prova de que o
trabalho de pesquisadores não tem importância
sequer para os colegas.
Apesar disso, um professor de
administração que publica estudos executados
com rigor numa publicação altamente
quantitativa como a Administrative Science
Quarterly é considerado um astro, ao passo
que o acadêmico que publica artigos nas
páginas mais acessíveis de uma revista
profissional — que tem muito mais
probabilidade de influenciar práticas de
negócios — corre o risco de ser preterido na
efetivação.
Não conhecemos nenhum
acadêmico de escola de gestão de elite com
um bom histórico de publicações que tenha
sido preterido numa tenure ou promoção por
ser um professor fraco ou incapaz de ensinar
bem em programas de educação executiva, nos
quais o professor precisa ter experiência
real na administração. Conhecemos, porém, o
professor de finanças que teve o pedido de
promoção negado quando o departamento
concluiu que ele não era um acadêmico sério.
As provas contra ele incluíam sete artigos
nesta revista e a melhor avaliação entre os
professores do departamento. Ou seja, a meta
oficial da educação administrativa pode
continuar sendo formar profissionais e criar
conhecimento por meio da pesquisa. Mas os
meios tornam impossível atingir tal fim,
pois a recompensa aponta para outra direção.
Warren G. Bennis
detém os títulos
de University Professor e Distinguished
Professor of Business Administration na
Marshall School of Business da University of
Southern California em Los Angeles,
onde também
preside o Leadership Institute.
James O’Toole
é professor e pesquisador do Center for
Effective Organizations da USC e autor de
Creating the Good Life (Rodale, 2005). |