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Num
discurso de 1927 para a American
Asso-ciation of the Collegiate Schools of
Business, o filósofo e matemático Alfred
North Whitehead soltou as seguintes
palavras, proféticas:
“A imaginação não deve ser
divorciada dos fatos: ela é uma maneira de
iluminar os fatos (...) A tragédia do mundo é
que aqueles que têm imaginação têm pouca
experiência, e aqueles que têm experiência tem
pouca imaginação.”
Hoje, a observação de Whitehead é
mais oportuna que nunca. Para que recupere sua
relevância, a escola de administração precisa
aceitar o fato de que a gestão de empresas não é
uma disciplina científica, mas uma profissão, e
precisa tratar daquilo que uma educação
profissionalizante pede.
Rakesh Khurana, professor
associado da Harvard Business School, observou
que toda profissão tem pelo menos quatro
elementos-chave: um corpo de conhecimentos
estabelecido, um sistema para garantir que o
indivíduo tenha dominado esse corpo de
conhecimentos antes do sinal verde para
praticar, um compromisso com o bem público e um
código de ética aplicável. Antes de tudo, a
profissão integra conhecimento e prática. Não
propomos tornar a gestão de empresas uma
profissão cerceada, que exija credenciais e
licenças.
Acreditamos, contudo, que um
passo útil para reconhecer que a administração é
uma profissão seria admitir que tanto imaginação
como experiência são vitais e deveriam,
portanto, estar no cerne da educação
administrativa. De olho na integração entre
teoria e prática, Edwin Land, da Polaroid,
sugeriu há 50 anos que toda escola de gestão
administrasse um negócio próprio. Por que não
tocar um empreendimento que operasse num esquema
equivalente ao de hospitais universitários? Há
pouco, a S.C. Johnson Graduate School of
Management, da Cornell University, respondeu a
esse desafio há tanto ignorado com a criação do
Cayuga MBA Fund, gerido por alunos do Parker
Center for Investment Research.
Seja qual for o meio escolhido —
tocar uma empresa, oferecer estágios, incentivar
a pesquisa na prática, consultoria e por aí vai
—, o corpo docente das escolas de gestão
precisa, simplesmente, redescobrir a prática
empresarial.
Não dá para imaginar um professor de cirurgia
que nunca viu um paciente, ou um professor de
piano que não toca o instrumento. Hoje, contudo,
as escolas de administração estão repletas de
professores inteligentes, altamente
especializados, com pouca ou nenhuma experiência
na gestão. Diante disso, são incapazes de
identificar os grandes problemas que se
apresentam aos executivos e não sabem analisar
as implicações indiretas e a longo prazo de
decisões de negócios complexas. Com isso,
ludibriam o aluno, e em última análise, a
sociedade. Nada vai melhorar enquanto os
professores não notarem que são responsáveis
tanto por educar profissionais que tomam
decisões práticas como por fazer avançar o
conhecimento científico.
O motor de mudança de maior
potencial é a comunidade de negócios.
Infelizmente, a maioria das empresas vem
enviando sinais ambivalentes: reclama que as
escolas de negócios não estão produzindo
potenciais líderes, mas vão e contratam MBAs com
especialização estreita. |
E mais: dirigentes
empresariais têm sido generosos no apoio a
escolas de administração, muitas vezes
doando polpudas cifras, em geral
incondicionalmente. Tal apoio é interpretado
como voto de confiança. Afinal, quem doa US$
30 milhões para estampar seu nome no
frontispício de uma faculdade não pode
culpar o corpo docente por presumir que ele,
o doador, está satisfeito com o que ocorre
lá dentro. A nosso ver, líderes empresariais
não estão exigindo o suficiente de
instituições de ensino que afirmam
servi-los. Enquanto a comunidade de negócios
não articular claramente suas necessidades,
reitores vão continuar a dar o que o corpo
docente pede: mais do mesmo.
Se organizações de prestígio
como a Business Roundtable e o Fórum
Econômico Mundial fizessem um estudo sobre a
qualidade e a utilidade do ensino
administrativo, suas conclusões
provavelmente atrairiam, entre professores e
administradores, atenção semelhante à
despertada pelos relatórios das fundações
Ford e Carnegie em 1959. Não achamos
saudável que doadores empresariais passem a
microgerir a política de instituições
educacionais, mas no caso das escolas
profissionalizantes, tais praticantes
precisam adotar um papel de governança. O
primeiro passo no processo é que líderes
empresariais eduquem a si mesmos sobre as
atuais práticas das escolas que produzem
seus futuros gestores. Poderiam começar por
um exemplar de uma publicação de negócios de
elite e se perguntar se os artigos dela
dizem algo que seus gerentes precisam ouvir.
Sob o risco de soar repetitivos, sejamos
claros: não estamos defendendo a volta aos
dias em que a escola de administração era
uma versão glorificada da escola vocacional.
Em toda empresa, a tomada de decisões exige
reunir e analisar fatos objetivos, de modo
que tais faculdades devem continuar a
ensinar matérias quantitativas. O desafio é
restaurar o equilíbrio do currículo e do
corpo docente: precisamos de rigor e de
relevância. O grande pecado da maioria das
melhores escolas de gestão de hoje é que
servem sobretudo aos interesses de pesquisa
e às metas de carreira do corpo docente, com
pouca atenção às necessidades dos outros
interessados. Servir à comunidade de
negócios formando profissionais e gerando um
conhecimento que possam usar é algo que até
pode existir como função secundária nessas
instituições; mas tais objetivos são
lembrados sobretudo nos discursos de
reitores quando em busca de doações.
Warren G. Bennis
detém os títulos
de University Professor e Distinguished
Professor of Business Administration na
Marshall School of Business da University of
Southern California em Los Angeles,
onde também
preside o Leadership Institute.
James O’Toole
é professor e pesquisador do Center for
Effective Organizations da USC e autor de
Creating the Good Life (Rodale, 2005).
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