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Escolas
de gestão não tinham cursos de matérias
humanas. É uma falha séria. Como professores
de liderança, duvidamos que nossa matéria
possa ser bem compreendida sem uma sólida
base em ciências humana.
Quando deu seu
famoso curso em Stanford usando Guerra e Paz e
outros romances como texto de estudo, o
pragmático cientista comportamental James March
não estava, de modo algum, ensinando literatura.
Estava recorrendo à literatura criativa para
exemplificar e explicar o comportamento das
pessoas numa empresa de maneira mais rica e
realista do que o permitido por qualquer livro
didático ou texto de publicação especializada.
Do mesmo modo, quando um executivo estuda
trechos dos clássicos da economia política e da
filosofia em seminários do Aspen Institute, a
intenção não é torná-lo um especialista em
Platão ou Locke, mas iluminar os recessos
profundos da liderança que textos de orientação
científica ou ignoram ou simplificam demais.
É claro que reformar
o ensino da gestão requer mais do que incluir
matérias de ciências humanas. Todo o currículo
do MBA deve estar permeado de questões e
análises multidisciplinares, práticas e éticas
que reflitam complexos desafios enfrentados numa
empresa. Nesse sentido é animador saber que o
recém-nomeado reitor da Marshall School foi a
público defender uma vasta reforma em nosso
programa de MBA para unir habilidades
científicas e humanas. Certamente não defendemos
que escolas de gestão, ao revisar o currículo do
MBA, abandonem a ciência.
Antes, deveriam
incentivar e premiar a pesquisa que ilumine
mistérios e ambigüidades das práticas de
negócios atuais. Curiosamente, apesar de sua
ênfase científica, as escolas de gestão pouco
fazem nas áreas da ciência contemporânea que
provavelmente são as mais promissoras para o
ensino administrativo: a ciência cognitiva e a
neurociência. Nesses campos, cientistas
pioneiros usam a tecnologia da ressonância
magnética para estudar como o cérebro se
comporta ao tomar decisões econômicas, levando
em conta fatores como a diferença entre sexos e
o papel da confiança. O problema não é a escola
de administração ter adotado o rigor científico,
mas ter abandonado outras formas de
conhecimento. Não se trata de escolher isso ou
aquilo. |
Contudo, nem todo professor
precisa ser ambidestro. Na prática, a escola
de gestão precisa de um corpo docente
diversificado, com professores que,
coletivamente, possuam uma variedade de
especializações e interesses que cubram um
território amplo e profundo como o próprio
ramo dos negócios. É como escreveu o
falecido Sumantra Ghoshal numa análise
perspicaz do problema: “Não se trata de
deslegitimizar as atuais abordagens à
pesquisa, mas de devolver a legitimidade ao
pluralismo”. Reequilibrar o currículo vai
contra os interesses percebidos de muitos
professores — e também contra a tendência
aparentemente irrefreável rumo à
especialização acadêmica.
A nosso ver, as alavancas
mais eficazes para a superação dessa
resistência são as políticas de pessoal
relativas a recrutamento, promoção, tenure e
outras recompensas acadêmicas. Em vez de
seguir cegamente o caminho trilhado por
escolas profissionalizantes ou departamentos
acadêmicos tradicionais, as escolas de
gestão devem criar os próprios padrões de
excelência. Muitos dirigentes de escolas de
administração, contudo, agora dizem que são
forçados pela universidade a adotar na
contratação e promoção os mesmos critérios
usados por departamentos de pós-graduação em
ciências exatas. Em nossa opinião, é
desculpa para manter um sistema disfuncional
(mas confortável). Outras escolas
profissionais já criaram critérios
apropriados para suas respectivas
profissões. Agora, a escola de administração
deve ter a coragem de fazer o mesmo.
Warren G. Bennis
detém os títulos
de University Professor e Distinguished
Professor of Business Administration na
Marshall School of Business da University of
Southern California em Los Angeles,
onde também
preside o Leadership Institute.
James O’Toole
é professor e pesquisador do Center for
Effective Organizations da USC e autor de
Creating the Good Life (Rodale, 2005).
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