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Está na hora de as escolas e MBAs admitirem
que gestão não é uma disciplina exata e sim
uma área de conhecimento tão dinâmica quanto
o próprio ser humano.
Nos últimos vinte
anos, os princípios e o vocabulário de gestão se
infiltraram em quase todas as esferas da
atividade humana. Hoje em dia, nós não
administramos apenas nossos negócios, mas também
nossas vidas e nossos relacionamentos. No espaço
de algumas décadas, a gestão se tornou uma
referência para quase todas as áreas da
atividade humana. Muitas pessoas, sem notar, são
impregnadas pelas últimas modas nesse campo –
que, a propósito, são abundantes. O tempo
inteiro, somos encorajados a tratar nossos
colegas, chefes e até mesmo membros da família
como “clientes” ou “parceiros”, cujas
necessidades precisam ser atendidas. Qualquer
pretexto vale para demonstrar nossa “liderança”,
“espírito de competitividade” e “habilidades
empreendedoras”.
Os modelos de gestão, sejam eles aplicados no
ambiente corporativo ou no dia-a-dia das
pessoas, sucedem-se com uma velocidade
impressionante. Isso acontece, especial-mente,
quando se trata de liderança – assunto muito em
moda hoje em dia. Chegamos a um ponto em que é
necessário recusar a sucessão interminável de
modismos e resistir ao bombardeio de novos catequismos e noções pré-concebidas. Devemos, de
uma vez por todas, destruir as amarras e abrir
espaço para a originalidade e a criação.
Diversos modelos de gestão prometem produzir
resultados num passe de mágica. Não espanta que
muitos executivos se sintam atraídos por essas
fantasias de auto-ajuda. Tampouco é de estranhar
que os criadores desses modismos tenham lucro
infindável com suas receitas encantadas. Mas a
verdade é bem outra. Não se pode administrar e
ter sucesso com um estalar de dedos. Gerir é uma
tarefa difícil.
Isso acontece, antes de tudo, porque a
administração empresarial não é uma ciência
exata. Ao contrário da matemática e da biologia,
por exemplo, a gestão carece de conceitos
universais, que possam ser aplicados em qualquer
ambiente. Tudo precisa ser colocado em seu
devido contexto. Por isso, não existe uma única
e milagrosa forma de gerir, nem um modelo
infalível de organização e liderança. Portanto,
não estaria exagerando quem dissesse: “Para o
inferno com as teorias de gestão!” Devemos
rejeitar todos os conceitos restritivos, que
reduzem e simplificam a complexidades das
organiza-ções e os mistérios do comportamento
humano.
A
teoria jamais deve ser considerada mais
importante que a experiência. Hoje, a profissão
de gestor muitas vezes é ensinada por pessoas
que nunca a praticaram. O que pensariam
cirurgiões, dentistas, enfermeiras, advogados,
cantores ou escritores de um professor que lhes
quisesse instruir nos segredos do ofício, sem
jamais ter feito uma cirurgia, extraído um
dente, cuidado de um doente, apelado a um juiz,
cantado em um palco ou publicado um livro?
As escolas de administração vêm estabelecendo
novos patamares de ensino superior, contratando
pesquisadores com treinamento científico e
obtendo credibilidade cada vez maior nos
círculos acadêmicos.
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Mas a qual preço
desse triunfo? O próprio objeto de estudo dessas
instituições se torna cada vez mais vago e
distante – pois é impossível apresentar
respostas definitivas para os grandes
questionamentos da gestão. Para formar
verdadeiros administradores, as escolas
deveriam, antes de tudo, perguntar-se:
afinal de contas, o que é gerir? Qual o
lugar da “gestão profissional” em nossa
sociedade? Em todos os domínios da atividade
humana, inclusive na arte, o ato de criar é
fundamental. Criar, diga-se de passagem, é
agir. Antes de tudo, é necessário valorizar
a ação e a criação – para só depois
começarmos a pensar em teorias. O desafio
das escolas de administração é,
precisamente, ensinar os futuros
administradores a agir. E nós gerimos como
nós somos. A administração é uma atividade
humana e carrega todas as características
dessa condição: suas qualidades e seus
defeitos, seus talentos e suas lacunas, suas
forças e suas fraquezas, suas habilidades e
suas inaptidões. Para ser um bom gestor,
portanto, é preciso desenvolver uma
percepção justa e realista de você mesmo e
dos outros. É preciso enterra o mito do
líder ideal e das receitas infalíveis.
O gestor
realista se cerca de pessoas competentes nas
áreas que menos conhece – pois é aí que mais
precisará de conselhos e sugestões.
É aceitar ser
nós mesmos diante dos outros, significa que
podemos causar desgostos a alguns e mesmo
ser o alvo de sua agressividade, sem por
isso tombar acabados.
Gerir como se é,
é dar-se o direito de pensar diferentemente
dos outros, é reconhecer o dever de
consultar, escutar e admitir seus erros, de
aprender alguma coisa, de recomeçar e de
continuar.
Gerir como se é,
é gerir seres humanos imperfeitos, como nós
mesmos.
Gerir como se é,
é também gerir com outras pessoas. A gestão
é evidentemente uma profissão eminentemente
social. Quanto mais o gestor é ele mesmo,
mais ele se conhece, mais ele aceitará que
os outros permaneçam eles mesmos enquanto
concentram-se nas tarefas a serem executadas
ou no serviço a ser prestado.
Gerir como se é,
é provar sua autonomia, sua abertura de
espírito com seus próprios princípios e os
dos outros, com suas crenças e com as dos
outros, é achar sua própria maneira de
pensar, sua unicidade como dirigente, e,
assim, gerir com seu próprio estilo.
Para serem
verdadeiros criadores e líderes de opinião,
os dirigentes devem deixar de lado modelos
que não correspondem as suas realidades e
ousar deixar livre a sua imaginação, sua
inteligência e seu julgamento clarificador
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