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O canadense Laurent
Lapierre bem que poderia
ser um crítico de arte. Ao longo da
carreira, ele tem trabalhado nas maiores
organizações culturais do Canadá. Já foi
membro do conselho de orquestras sinfônicas,
teatros e, atualmente, integra o board do
Conselho de Artes do Canadá, que fomenta a
produção artística por lá. Mas é em gestão
que Lapierre transita com total
desenvoltura. Professor de Liderança na
Universidade de Montreal, Lapierre garante
que liderar é uma arte – literalmente. Nesta
entrevista, ele diz que todo líder tem um
pouco de ator. Logo, imitar o estilo de
grandes ícones da gestão, como Jack Welch, é
uma armadilha. Em vez disso, devem-se
estudar estilos e compor o “personagem” que
desempenhará o papel de líder. Lapierre
conversou com AMANHÃ durante sua visita à
Escola Superior de Administração, Direito e
Economia (Esade), em Porto Alegre. Confira:
Os jovens que acorrem em massa
aos melhores MBAs no exterior estão
desperdiçando dinheiro?
O primeiro ativo que você deve
considerar quando pensa em estudos na área de
negócio é você mesmo. Se você é um bom aprendiz,
terá boa formação em Porto Alegre, em São Paulo
e em todas as outras escolas de negócios daqui
até Paris. Então esse é o primeiro esforço:
condicionar-se para o aprendizado. Eu penso que
é possível obter um ótimo treinamento mesmo em
escolas ou MBAs que não são lá tão bons. Se você
é um bom aprendiz, você lê bons livros, você
busca o conhecimento e monitora o que é
necessário aprender. É claro que viajar é
importante, mas como experiência, e não para
obter o melhor aprendizado. Viajar é essencial
para alguém que precisa entender um pouco mais
do que acontece lá fora. Mas não transforma
ninguém em um profissional qualificado.
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O que devem buscar, então,
aqueles brasileiros que sonham com um MBA em
Harvard ou na London Business School?
É claro que escolher uma boa
escola no exterior ajuda a acelerar o processo
de formação profissional. Se você consegue
bancar seus estudos em uma escola de ótima
reputação, como Harvard, bem, no mínimo você vai
conquistar um diploma em Harvard. Isso dá
credibilidade. Mas não adianta nada ir até
Harvard se você não tiver condições de ser um
bom aprendiz. Um diploma de Harvard diz muito
pouco a respeito de um profissional que não é
considerado bom no que faz. É sempre importante
lembrar que, depois de obter o diploma em
Harvard, em Stanford ou em qualquer outro grande
MBA, essas escolas não farão mais nada por você.
A partir daí, o que conta é você mesmo e a sua
capacidade de fazer valer o seu conhecimento. Eu
fiz meu MBA na HEC de Montreal. Eu poderia ter
feito em Harvard, ou na HEC de Paris. Mas não
foi preciso. Eu estava motivado e queria
aprender.
Pode-se aprender lá fora
respostas para problemas que enfrentamos aqui?
Não. Como eu disse, viajar é
importante para se ter experiência ou para se
ter aquilo que os executivos chamam hoje de
“choque cultural”, algo muito valorizado hoje.
Mas o choque cultural não ocorre somente quando
a pessoa começa a cursar as aulas de Stanford,
por exemplo. O choque também ocorre na volta.
Passar uma temporada no exterior é ótimo como
experiência. No entanto, se você cursar todo um
MBA em Stanford, aprendendo o jeito “certo” de
se administrar um negócio, e quiser voltar para
o Brasil e implementar aqui o que aprendeu lá,
você certamente irá falhar. Não é preciso ser
inteligente para saber que o jeito de se fazer
negócios em Porto Alegre é diferente do jeito de
se fazer negócios na Califórnia.
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