Entrevista - Laurent Lapierre


Autor:
Andreas Müller
Fonte: Revista Amanhã

 

Mas muitas pessoas vão às escolas procurando por respostas prontas. As próprias universidades costumam acenar com a promessa de transformar alunos em managers. O que está errado aí?

Ambos os lados estão errados – tanto os estudantes como as escolas de negócios. Se um curso de MBA promete ensinar o jeito pretensamente “correto” de gerir uma companhia, é muito provável que a mensagem seja apenas de apelo publicitário. Ao mesmo tempo, se um profissional procurar um MBA com a intenção de aprender a “ser” um bom gestor, ele certamente ficará desapontado. É como uma escola de teatro. Imagine que você vai a uma oficina de atores e o professor diz que existe apenas uma maneira “correta” de representar Hamlet. Ora, existem milhares de maneiras de representar Hamlet. Cada ator empresta um toque pessoal ao papel. Com a gestão é exatamente igual. Não existe apenas uma maneira de ser um bom gestor: existem várias maneiras. É impossível sermos todos o mesmo Hamlet, assim como também é impossível sermos todos clones de Jack Welch. O importante é que o aluno ou ator tenha consciência de suas características e limitações. E, assim, consiga descobrir qual é o seu próprio jeito “correto” de administrar um negócio ou de representar Hamlet. Para isso, você aprende as diferentes técnicas. Você descobre quais são os métodos existentes. E então vai jogando com eles, combinando-os até ter o seu estilo próprio.

 

Modelos e estudos de caso têm, então, o seu valor?

Não precisamos ignorá-los. Na maioria das vezes, os estudos de casos são bastante interessantes. Cabe ao bom aprendiz ler o estudo e ter discernimento para definir o que ele deve aprender dessa leitura. Não adianta simplesmente copiar o modelo.

 

Mas ao mesmo tempo temos o benchmark. As pessoas tentam seguir uma referência...

O benchmark deve servir para comparar resultados, não para copiar. Usar o benchmark é essencial para os nossos negócios, mas isso não elimina o fato de que nós precisamos ser criativos na maneira de fazer negócios. Havia um empreendedor em Londres chamado Richard Branson que deu origem a um negócio chamado Virgin. Sua companhia era diferente de todas as outras. A sede ficava em um local obscuro de Londres. A empresa não funcionava em um único local, mas estava espalhada em pequenos prédios. O interessante é que Richard Branson nunca foi muito bem na escola. Mas conseguiu criar um modelo de negócios absolutamente criativo, o suficiente para Margaret Tatcher citá-lo como um modelo de empreendedorismo para a Inglaterra. A Virgin ficou tão grande que acabou indo para a bolsa de valores. Você pode aprender com a Virgin, pois é uma empresa que está à margem. E quando uma empresa está à margem das outras, ela geralmente consegue fazer coisas pouco usuais. Quem duvida que, daqui a dez anos, o jeito delas não será o jeito “certo” de se fazer negócios? No Cirque du Soleil, toda a parte criativa do negócio fica fora da organização. A filosofia é de que os criativos não podem ficar dentro da empresa, pois ficariam muito ligados às demandas da rotina de trabalho e aí não conseguiriam desempenhar bem o seu papel de criação.

 

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