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Um Método

Querer importar o modelo das ciências exatas
para estudar e compreender as ações humanas é um
erro grave, freqüentemente repetido nas
“ciências humanas”. O ser humano que nós
estudamos é uma entidade viva e pensante que age
e muda. Ele pesquisa com os pesquisadores. Ele
muda a medida que nós o estudamos. A
subjetividade e a inter-subjetividade são partes
integrantes do “real e do objetivo” no que
concerne as pessoas. Para bem compreender,
quando tratamos de gestão das organizações e da
direção de pessoas, o projeto científico deveria
então focar-se na descrição desta realidade, da
maneira mais humilde, mais fiel e mais completa
possível, tal como se dá em um dado momento.
A gestão é uma
questão de contexto e de historicidade, como já
foi dito. A história é feita mais por líderes e
organizações do que por teóricos que observam e
relatam nossos comportamentos e resultados. Para
assumir uma direção, é indispensável uma
compreensão da complexidade das pessoas e das
organizações. Somente quando alguém tem uma
melhor compreensão desta complexidade é que se
pode simplificar, voltar à essência e conduzir
um curso estável através de águas turbulentas e
calmas. A gestão é uma prática que se conhece e
se aprende na maioria das vezes por experiência,
primeiramente dos outros, e posteriormente por
nossas próprias experiências.
Trata-se de uma
ação que é enriquecida através da reflexão, o
que permite, através da ação e da reflexão,
construir uma prática muito peculiar. O
conhecimento técnico não substitui a
experiência. Existe um conceito errôneo que o
mesmo modelo ou o mesmo processo de gestão pode
invariavelmente ser aplicado não só para todas
as empresas norte americanas, mas também em
todas aquelas das repúblicas da antiga União
Soviética, da Europa, dos países da África ou da
América Latina, do Haiti, etc. |
Será que podemos dizer que todas culturas
nacionais e corporativas, que todas as
pessoas e condições de vida são as mesmas em
todos os lugares? Será que sabemos que o que
era verdade para um país ou organização dez
anos atrás é ainda verdade hoje em dia ou
que será verdade daqui a dez anos? Claro que
não.
No campo da pesquisa da gestão, o método de
estudo de casos constitui uma abordagem
empírica direta que serve como base parar a
produção de documentos e ao avanço do
conhecimento. São estes documentos que
servem para apoio do processo aprendizagem
da prática e de habilidades. O método de
casos é baseado na abertura e na
receptividade do contato direto das pessoas
e de experiências concretas. A
preponderância é dada à própria prática, ao
estudo rigoroso do fenômeno, onde se
examina, caso a caso, a inteligência das
ações daqueles que foram bem sucedidos (ou
que fracassaram), analisando aquilo que se
passa na vida real, para extrair
orientações, posições pessoais e novas
sínteses que então podem ser colocadas a
serviço de suas próprias práticas.
Na formação em gestão, a relação do tipo
mestre-aprendiz, os estágios com os grandes
especialistas e as classes com os mestres
devem ser privilegiadas. O método de casos é
um tipo de substituto da realidade do
relacionamento entre mestre e aprendiz. Um
estudo de caso deve colocar o aprendiz na
posição de tomador de decisão e levá-lo a
refletir sobre a situação de maneira que vá
além das soluções prontas. Queremos
especialmente falar de um método de caso que
é baseado em narrativas práticas e que
produz uma descrição profunda e documentada,
uma narrativa que seja a mais fiel possível
a realidades que nós queremos conhecer e que
constituem o objeto da aprendizagem. Em
todos os casos, trata-se de um método de
aprendizagem indutivo no qual a pessoa que
aprende desempenha o papel principal.
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