Gerir é Criar

Autor: Laurent Lapierre  - Fonte: Revista Amanhã

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A Arte de Ser um Professor de Gestão
Repensando a Formação em Gestão - Rejeitando os Modismos em Gestão

A Arte de Ser um Professor de Gestão
Nossas primeiras aprendizagens têm uma influência inegável sobre nossa maneira de ensinar. Um músico ou cantor necessariamente aprende sua arte através de um mestre. Ele poderá então muito mais facilmente que um dirigente, a quem se tem transmitido somente o conhecimento abstrato, favorecer certo tipo de formação e de aprendizado. Se nós temos a oportunidade de estar em uma relação do tipo mentor ou de estar em contato com mestres gestores, nós aprenderemos, por processo de osmose, sobre a própria aprendizagem, formando nós mesmos nosso próprio talento.

Nós poderíamos pensar que somente os grandes gestores são bons candidatos a se tornarem professores de gestão. Entretanto, a experiência tem mostrado que poucos dentre eles possuem competência ou desejo de se tornarem pesquisadores ou professores em seus campos de atuação.

Ser pedagogo demanda qualidades particulares, um longo trabalho de preparação e uma reciclagem contínua. Se gerirmos como somos, no campo da formação em gestão, ensinamos também como somos com todas as exigências e imperfeições que podem fazer parte deste processo.

De fato, poucos altos dirigentes se tornam bons professores, ainda mais se eles crêem que ensinar se limita a descrever sua experiência. Eles correm o risco de não terem material para mais do que poucas horas! Formar para a gestão não consiste – não deve consistir – em produzir clones daquilo que fomos. Ninguém nasce sendo um bom professor de gestão.

Mesmo que isto dê algum diferencial, como todos os talentos, o talento do mestre de gestão é algo que se desenvolve e se adquire em sua grande parte. O aspecto inato nada mais é que uma base. Como em qualquer profissão, algumas pessoas têm maior potencial do que outras, o que faz do processo de seleção muito mais decisivo.

Tornar-se professor supõe da parte do alto dirigente  que  ele   se   recicle   verdadeiramente,
que ele se informe sobre as diversas maneiras de

exercer a gestão e que ele se prepare para se tornar um mestre autêntico, um guia, uma pessoa capaz de ajudar uma outra a encontrar seu próprio caminho, em outras palavras, fazer emergir seu próprio talento. Freqüentemente, ele faz isso com pessoas mais jovens e mais brilhantes que ele mesmo. Assim como os pais que não sofrem de inveja ficam orgulhosos de ver seus filhos não somente fazerem coisas diferentemente e melhor que eles, mas até mesmo superá-los. Que orgulho para um professor ver seus jovens fazerem melhor que as gerações que os precederam!

O mestre também ensina com seus conhecimentos, certamente, mas também com suas qualidades e suas imperfeições, suas forças e fraquezas. O que ele é e o que faz é mais importante do que ele diz. Quando nós realmente acreditamos na força e valor de uma abordagem pedagógica indutiva, mesmo que nós reconheçamos esses limites, nós somos capazes de colocar nossa fé na inteligência da pessoa que aprende, não só em relação a uma aprendizagem específica, mas também em relação a aprender a aprender. O objetivo é dar autonomia a pessoa que queira aprender e aguçar seu julgamento.

É possível ser um bom pedagogo sem ter jamais antes exercido a profissão de gestor! Entretanto, o professor que não tem experiência própria de gestão e não a conhece pela prática deve ter a humildade e a sabedoria de buscar ainda mais a experiência daqueles que a vivenciaram, que têm a inteligência e conhecem o sucesso. Ele deve igualmente aceitar aprender com seus estudantes que podem ter ricas experiências de gestão, e usar abordagens pedagógicas, tais como o método de estudos de casos, que o permite compensar sua falta de experiência e refletir com seus estudantes sobre a prática de outros.

Ensinar a gestão é profundamente desafiador, provocando sentimentos de insegurança porque requer resistir ao ímpeto natural e legítimo do professor de ensinar. Sobretudo resistir a propensão a professorar que foi internalizada desde o começo de nossa educação que nós tradicionalmente recebemos. Formar desta maneira é renunciar ao desejo de impressionar como professor.
 

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