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A Arte de Ser um Professor de Gestão

Nossas primeiras aprendizagens têm uma
influência inegável sobre nossa maneira de
ensinar. Um músico ou cantor necessariamente
aprende sua arte através de um mestre. Ele
poderá então muito mais facilmente que um
dirigente, a quem se tem transmitido somente o
conhecimento abstrato, favorecer certo tipo de
formação e de aprendizado. Se nós temos a
oportunidade de estar em uma relação do tipo
mentor ou de estar em contato com mestres
gestores, nós aprenderemos, por processo de
osmose, sobre a própria aprendizagem, formando
nós mesmos nosso próprio talento.
Nós poderíamos pensar que somente os grandes
gestores são bons candidatos a se tornarem
professores de gestão. Entretanto, a experiência
tem mostrado que poucos dentre eles possuem
competência ou desejo de se tornarem
pesquisadores ou professores em seus campos de
atuação.
Ser pedagogo demanda qualidades particulares, um
longo trabalho de preparação e uma reciclagem
contínua. Se gerirmos como somos, no campo da
formação em gestão, ensinamos também como somos
com todas as exigências e imperfeições que podem
fazer parte deste processo.
De fato, poucos altos dirigentes se tornam bons
professores, ainda mais se eles crêem que
ensinar se limita a descrever sua experiência.
Eles correm o risco de não terem material para
mais do que poucas horas! Formar para a gestão
não consiste – não deve consistir – em produzir
clones daquilo que fomos. Ninguém nasce sendo um
bom professor de gestão.
Mesmo que isto dê algum diferencial, como todos
os talentos, o talento do mestre de gestão é
algo que se desenvolve e se adquire em sua
grande parte. O aspecto inato nada mais é que
uma base. Como em qualquer profissão, algumas
pessoas têm maior potencial do que outras, o que
faz do processo de seleção muito mais decisivo.
Tornar-se professor supõe da parte do alto
dirigente que ele se
recicle verdadeiramente,
que ele se informe sobre as diversas maneiras de
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exercer a gestão
e que ele se prepare para se tornar um
mestre autêntico, um guia, uma pessoa capaz
de ajudar uma outra a encontrar seu próprio
caminho, em outras palavras, fazer emergir
seu próprio talento. Freqüentemente, ele faz
isso com pessoas mais jovens e mais
brilhantes que ele mesmo. Assim como os pais
que não sofrem de inveja ficam orgulhosos de
ver seus filhos não somente fazerem coisas
diferentemente e melhor que eles, mas até
mesmo superá-los. Que orgulho para um
professor ver seus jovens fazerem melhor que
as gerações que os precederam!
O mestre também
ensina com seus conhecimentos, certamente,
mas também com suas qualidades e suas
imperfeições, suas forças e fraquezas. O que
ele é e o que faz é mais importante do que
ele diz. Quando nós realmente acreditamos na
força e valor de uma abordagem pedagógica
indutiva, mesmo que nós reconheçamos esses
limites, nós somos capazes de colocar nossa
fé na inteligência da pessoa que aprende,
não só em relação a uma aprendizagem
específica, mas também em relação a aprender
a aprender. O objetivo é dar autonomia a
pessoa que queira aprender e aguçar seu
julgamento.
É possível ser
um bom pedagogo sem ter jamais antes
exercido a profissão de gestor! Entretanto,
o professor que não tem experiência própria
de gestão e não a conhece pela prática deve
ter a humildade e a sabedoria de buscar
ainda mais a experiência daqueles que a
vivenciaram, que têm a inteligência e
conhecem o sucesso. Ele deve igualmente
aceitar aprender com seus estudantes que
podem ter ricas experiências de gestão, e
usar abordagens pedagógicas, tais como o
método de estudos de casos, que o permite
compensar sua falta de experiência e
refletir com seus estudantes sobre a prática
de outros.
Ensinar a gestão
é profundamente desafiador, provocando
sentimentos de insegurança porque requer
resistir ao ímpeto natural e legítimo do
professor de ensinar. Sobretudo resistir a
propensão a professorar que foi
internalizada desde o começo de nossa
educação que nós tradicionalmente recebemos.
Formar desta maneira é renunciar ao desejo
de impressionar como professor.
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