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Repensando a Formação em Gestão
Os números, as estatísticas, o uso da linguagem matemática e dos métodos
quantitativos são necessários e indispensáveis
para uma boa gestão e a concepção de soluções
eficazes. Estes aspectos são muito importantes e
constituem mais facilmente os objetos da
formação. Mas será sempre necessário voltar a
essência da gestão: uma práxis, uma filosofia da
ação e da criação encarnadas no bom senso. Ai
reside o aspecto mais determinante do fato de
gerir: fixar metas e objetivos, desenvolver e,
usando seu julgamento, assumir a direção de
pessoas.
Então, é importante ter em mente que uma
organização pode ter um bom produto ou oferecer
um serviço de qualidade ao mesmo tempo em que se
tem uma gestão artesanal ou que esteja fora das
normas reconhecidas, das regras tradicionais da
exatidão, dos processos normativos e das teorias
populares. A gestão pode parecer deficiente (aos
olhos dos especialistas) e, apesar disso, a
organização conhecer bastante sucesso.
Igualmente, um dirigente pode não ter nenhuma
formação superior em gestão e ser exitoso na
condução de uma organização. Por outro lado,
podemos dificilmente afirmar que o uso de um
processo de gestão em moda ou reconhecido, ou
que o fato de ser detentor de um diploma
outorgado por uma escola de gestão prestigiosa,
seja garantia de sucesso...
Isto não significa evidentemente que deveríamos
questionar a existência das escolas de gestão.
Pelo contrário, uma vez que ela está em contato
com a comunidade de negócios, com o mundo da
ação, em todos os domínios, a escola de gestão
pode oferecer aos que a freqüentam documentar
práticas, formar uma rede de conhecimentos,
ganhar tempo, desenvolver espírito crítico,
formar ou aguçar seu julgamento, aprender a
convencer e descobrir seus próprios talentos.
Fica por conta do próprio pessoal da
universidade (diretores, professores,
pesquisadores) permanecer vigilante e de evitar
qualquer desvio que venha a romper estas
ligações necessárias. Eles têm a
responsabilidade de proteger a razão de ser
fundamental da sua instituição. A mensagem
atualmente transmitida, direta ou indiretamente,
para jovens professores formados nos programas
de doutorado em gestão é que eles devem produzir
um tipo de pesquisa que seja direcionada
puramente aos seus colegas professores. |
Para avançarem
em suas carreiras, eles devem publicar em
revistas acadêmicas, aquelas que são
classificadas em função do número de vezes
que os artigos ali publicados são citados
por outros pesquisadores. As acreditações
internacionais que pesquisam as escolas de
gestão impulsionam ainda mais para uma
padronização da pesquisa e dos programas de
formação.
Escondidos em suas torres de marfim, falando
somente com seus semelhantes, professores
pesquisadores podem chegar a não ter mais
conta daquilo que fazem as pessoas que
dirigem verdadeiramente as organizações no
mundo real, lhes olhando de cima com seus
modelos teóricos e normativos, e pior ainda,
lhes menosprezando. Não será surpresa então
ver as escolas de gestão isolarem-se do
mundo da ação e caírem em uma crise de
legitimidade.
Rejeitando os
Modismos em Gestão
A gestão, como a educação e a criação, não é
sempre emocionante. Ela contém
inevitavelmente sua porção de aspectos,
mecânicos, repetitivos, técnicos, rotineiros
e monótonos. Mas em sua componente mais
crucial, a gestão é necessariamente criação.
Ela repousa sobre a imaginação, sobre a
inteligência do que deve ser feito para
produzir os resultados em equipe. As
empresas que tentam mudar a cultura
organizacional para “adotar” uma mais a
moda, baseada ou fabricada a partir de
modelos prontos ou de receitas mágicas,
mesmo com a melhor boa vontade das direções
de recursos humanos, se arriscam a conhecer
um sucesso relativo e breve.
A inteligência
própria das ações precisará, sempre e ainda,
ser descoberta, descrita e difundida tanto
pelos praticantes e aprendizes de gestor,
bem como por todos aqueles que aspiram lhe
ensinar. Em gestão, devemos sempre estar
vigilantes para oportunizar um espaço maior
para o bom senso, para o julgamento e para a
criação! Os teóricos devem permanecer a
escuta e observar a experiência prática da
gestão se desejam que suas reflexões sejam
pertinentes e levadas a sério. As escolas de
gestão devem assumir com urgência um
verdadeiro papel de liderança neste sentido
e formar para a liberdade de pensar, de
criar e de gerir.
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